Jaguatiricas
outubro 14, 2018
Ventania
outubro 14, 2018

Jaguarundís

Jaguarundís – puma yagouarundi

João e Maria, chegaram ao NEX junto com Prince, em 2010. Eram muito ariscos, não gostavam de gente e ficaram em um recinto isolado, próximo à cachoeira. Se adaptaram muito bem. Minha maior preocupação com pequenos felinos do bioma amazônico, é a brutal diferença de temperatura que encontram no Cerrado.

Na ficha de origem consta que eram duas fêmeas. Só que uma delas foi ficando diferente e, felizmente, temos um casal.

Nunca nasceu um filhote de jaguatirica ou jaguarundi. Genéticas que vão embora, sem progênie ou emprego de qualquer outra técnica possível. Pequenos felinos não possuem o mesmo carisma das onças. É difícil levar adiante projetos relacionados a eles.

Pedrinho – puma yagouarundi

O caçulinha do Nex tem um histórico muito similar a muitos filhotes de felinos, com a diferença que sobreviveu à tragédia de ser atingido por uma pá de colheitadeira em um canavial. A fratura foi leve, na base do crânio e tratado em tempo, ficou se recuperando em tratamento feito por um amigo que prezo demais: o veterinário Pedro Telles. Pedrinho era uma coisica de nada, cabendo na palma da mão. Como deixar um bebê assim passar as noites sozinho? Não tem como. Pedro foi mãe e Pedrinho vingou! Na hora da destinação, aquele pânico: para onde mandar Pedrinho? Tive a honra de ser lembrada e Pedrinho chegou às minhas mãos com 60 dias de idade. A coisa menor do mundo! Um bebê alegrinho, parecendo uma bola de tanto pular e repicar no chão. Não parava quieto e sua vida era brincar. Nunca tinha convivido com um mourisco pequeno. Sua capacidade de saltar, correr, os movimentos, as carinhas, tudo era um encanto,

O recinto estava pronto à espera de Pedrinho. Levei-o para o Nex, coloquei-o no recinto e ele sumiu. Era tão pequeno que passaria pela tela. Lembrei de Xangô e gelei. Trouxe-o de volta e brincamos até cansar naquela noite. Pedrinho estava hospedado em uma suíte de hóspedes, na minha casa. Lugar seguro para ficar, sem o menor movimento e eu só o via nos horários da alimentação. Só que era me ver, Pedrinho começava a pular, correr, chamando para brincar e brincávamos até. Eu sabia que era importante para ele ter uma referência de segurança. Talvez, ele soubesse que para mim era muito importante, naquele momento, ter uma referência de alegria.

Rápidamente, a segunda tela foi colocada no recinto e levei-o novamente para o Nex. A carinha dele, a expressão de abandono , não me seduziram. Estava muito bem, seguro, com alimentação excelente, laguinho com água corrente e Rogério como babá. Não poderia estar melhor. Em Novembro de 2017 Pedrinho chegou. Até hoje, ao chegar na fazenda, de longe já o vejo pular e correr como se me recebesse com a maior alegria. Vou até ele, converso  e o deixo . Temos uma forte ligação e isso nos basta!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

DOE AQUI