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Xangô

“Nunca tivemos vida fácil, hora como deuses hora como demônios, nossos caminhos sempre estiveram amarrados a vontade dos seres humanos. Perseguidos, hora para que nossa força fosse transferida ao pequeno índio que ingressava em sua vida adulta, hora para virar troféu e satisfazer os desejos de caçadores. Difícil mesmo é imaginar o quanto já perdemos de nossas áreas, já somam mais de 50% e continua diminuindo. Onde moro então a situação está mais difícil. No Brasil Central, no que era a imensidão do Cerrado, vivo entre pequenos fragmentos de floresta e vou andando margeando rios e córregos…e ando muito, procurando comida e parceira. Percorro mais de 1000 km2há cerca de dez anos e ainda não achei uma parceira. Nada fácil, desviando dos homens, movendo como fantasma, sem que ninguém me veja. Sou “Xangô”, sou negro, forte, valente e destemido. Sou onça pintada!Sou justo e não me dou bem com os mentirosos. Por isso sobrevivo aqui, por isso escolho com quem ando e, mais importante, quem pode me ver.

Encontrei minhas rainhas Oyá, Oxum e Obá, que vivem com nomes diferentes, dados pelos humanos, mas sei que são elas. É como o feitiço de Áquila, posso vê-las mas não posso tocá-las. Mesmo assim, sempre estou ao lado delas. Sinto que minha força pode protege-las.

Me alegro, pois sei que estão bem cuidadas. As mesmas pessoas que cuidam dela ,cuidam de mim. Para elas eu me mostro, deixo ser visto. Se você ainda não me viu não deixe de acreditar que pode me ver. Se você for justo, honesto e cuidar bem de tudo que ama tenho certeza que nossos caminhos vão se cruzar, mesmo que você não possa vir aqui tenha certeza que irei até o fundo de seu coração.

Ronaldo Gonçalves Morato

Analista Ambiental

Coordenador ICMBio-CENAP

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