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Os mitos do cativeiro

Por preconceito, falta de conhecimento  e ausência de convívio com animais, ainda encontro pessoas que literalmente torcem o nariz à simples menção da palavra cativeiro. Desconhecem completamente as condições  de vida anterior dos animais selecionados para permanecerem em um criadouro ou mantenedor . Na natureza há uma seleção natural onde sobrevivem apenas os mais fortes e aptos. Os felinos que recebemos não foram selecionados naturalmente. São vítimas dos humanos que se acham no direito de interferir suprimindo vidas preciosas para a natureza.

O papel dos felinos em cativeiro é extremamente importante para a causa, já que o que não é conhecido não pode ser protegido. Ver uma onça na natureza é quase impossível para a maioria das pessoas e o cativeiro proporciona uma visão real, não só do animal ,mas ,da cruel realidade da devastação das florestas e do desrespeito para com a fauna. Educação ambiental se faz na presença dos animais que,melhor do que ninguém, são  embaixadores da própria causa.

Maus tratos, crescimento em caixas ou locais totalmente inapropriados, sequelas comportamentais por traumas, sendo necessária a reabilitação de indivíduo por indivíduo. No caso dos felinos, a maioria presenciou a morte das mães. É muito triste a trajetória de cada indivíduo mas, gratificante, quando podemos considera-los reabilitados.

Um trabalho que envolve  muitas pessoas para que o animal decida sobreviver, superando os traumas e interagindo com desafios criados para que sua vida seja a melhor possível. O trabalho com cada grande felino leva anos.

Devemos compreender que cada indivíduo carrega toda a informação sobre a espécie e considero um erro primário não haver no Brasil, um Studbook completo e atualizado sobre todos os felinos que se encontram em cativeiro, incluindo , nos zoológicos.

Tempos atrás, tomei conhecimento de um macho de onça pintada do bioma da Mata Atlântica , no zoológico de Belo Horizonte. Quando a equipe parceira (Reprocon)que trabalha com técnicas de reprodução conseguiu se mobilizar para ir vê-lo, a coleta de sêmen não deu certo. O animal está com 17 anos e com atrofia testicular. Este macho passou 17 anos completamente ignorado, em cativeiro, quando poderia ter contribuído com a população já quase extinta da Mata Atlântica.

É como desdenhar de um banco genético precioso, ainda mais agora  todos os procedimentos que envolvem reprodução assistida,  são acessíveis .

Falo com a propriedade de quem faz  este trabalho há muito tempo, com orgulho de ter inspirado muitas pessoas sensíveis a fazerem o mesmo.

Onças que vivem em cativeiro são menos onças que as de vida livre? Acredito que não. Apenas possuem experiências diferentes de vida.

O que temos que transformar é a nossa visão para que a vida em cativeiro de cada felino não seja em vão.

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